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Rodobens busca velocidade de cruzeiro

Por Chiara Quintão | De São José do Rio Preto (SP)

Depois de identificar estouros de orçamento em 2011, que levaram a um processo de reestruturação, cujos ajustes estão sendo concluídos, a Rodobens Negócios Imobiliários espera começar 2013 com velocidade de cruzeiro. A empresa não tem meta oficial de lançamentos, mas considera que o tamanho adequado para seu Valor Geral de Vendas (VGV) de incorporação é de R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão, segundo seu presidente, Marcelo Borges. O orçamento de 2013 está sendo definido e será apresentado ao conselho de administração na próxima semana.

Durante o próximo ano, a companhia pretende consolidar a Rodobens Urbanizadora e a Rodobens Malls. A loteadora tem, no seu banco de terrenos, VGV de R$ 700 milhões, e os lançamentos podem começar neste ano, se obtidas as aprovações necessárias. Parcerias com empresas do ramo estão em avaliação. Em shopping, a intenção é começar a lançar projetos em meados de 2013. Os shoppings de vizinhança e centros comerciais de pequeno porte serão desenvolvidos em áreas que a Rodobens possui no entorno de seus empreendimentos.

No segmento de incorporação, a Rodobens tem um banco de terrenos com VGV potencial de R$ 3,3 bilhões. Ao contrário da maior parte das incorporadoras, que têm reduzido suas praças de atuação, a Rodobens mantém o foco no interior de São Paulo, de Estados do Centro-Oeste e de outras regiões que crescem, principalmente, na esteira do agronegócio. Atuar em várias cidades possibilita, por meio da repetição de projetos, reduzir custos de desenvolvimento.

Metade do banco de terrenos se destina a projetos enquadrados no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, e os demais 50%, a projetos com unidades acima de R$ 200 mil. A companhia voltou a lançar empreendimentos fora do programa no fim de 2011. A parcela desses lançamentos ficará entre 35% e 40% em 2012. O patamar de 40% deve ser mantido em 2013.

A Rodobens consegue, nas unidades acima de R$ 200 mil, margens três pontos percentuais acima das enquadradas no programa. Outro ganho é que, nas unidades fora do Minha Casa, Minha Vida, o repasse dos clientes para os bancos ocorre no momento do "habite-se" e não da venda, sem a necessidade de equipe responsável pelo desligamento durante todo o processo de comercialização.

Em 2011, a Rodobens tomou a decisão de reduzir seus lançamentos, como parte da reestruturação. Enquanto em 2010, lançou R$ 1,37 bilhão, com parcela própria de R$ 1,12 bilhão, em 2011, o VGV total foi de R$ 539,21 milhões, com fatia da companhia de R$ 471,79 milhões. Embora não houvesse uma meta, um ano atrás, Borges, estimava que os lançamentos totais de 2012 voltariam ao patamar de 2010 e que a parcela própria seria de R$ 1,2 bilhão. Mas, devido a atrasos na obtenção de licenças e à decisão de não lançar parte dos projetos previstos nos moldes do programa, o VGV próprio deve ficar pouco abaixo de R$ 1 bilhão neste ano, segundo Borges.

A reorganização da companhia incluiu mais rigor em todas as etapas do negócio de incorporação. Neste ano, a companhia vendeu áreas em que avaliou não ser viável lançar projetos com a rentabilidade esperada. "Fazemos conta o tempo todo", conta Borges.

A análise da documentação dos clientes passou a ser enviada a uma mesa de crédito em São José do Rio Preto (SP) imediatamente após o recebimento da proposta, o que tem possibilitado melhorar a qualidade da carteira e reduzir distratos, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Flávio Vidigal de Capua.

Os projetos a serem executados passaram a ser submetidos a um comitê de novos negócios. Outros comitês foram criados para que decisões operacionais fossem descentralizadas, possibilitando que Borges e Capua pudessem se dedicar mais às estratégias da empresa e aos novos negócios. Todas as atividades estão sendo concentradas no edifício da sede e haverá novos cortes de despesas gerais e administrativas.

A rentabilidade reflete as mudanças. No terceiro trimestre, a Rodobens obteve margem bruta de 30,6%, ante 11,5% um ano antes. A margem dos resultados a apropriar ficou em 37,7%, o que sinaliza que, se forem descontados custos financeiros e impostos, a margem bruta deve ficar entre 30% e 31% nos próximos trimestres. No primeiro trimestre de 2013, a empresa concluirá a entrega dos projetos em que foram identificados, em 2011, estouros de orçamento.

A reestruturação da Rodobens não abrangeu mudanças no processo de obras, que tinham começado anteriormente. Entre 2009 e 2010, a Rodobens deu início a medidas para cortar custos e reduzir prazos de obras, segundo o diretor técnico de obras, Heinz Kleindienst. A companhia desenvolveu, por exemplo, projeto-piloto de uso de formas de alumínio para erguer prédios em um condomínio de São José do Rio Preto (SP). Na produção em larga escala, essa tecnologia, já utilizada na construção de casas pela Rodobens, pode ser mais competitiva que a alvenaria convencional também nos edifícios, além de encurtar prazos.

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